Você é um idiota = Eu
te amo
Sophie Holmes estava em frente a porta que a separava do
maníaco que havia, incrivelmente conseguido, sequestrar seu pai, Sherlock
Holmes. Ela era a única pessoa com quem ele queria “jogar”. A única pessoa que
ele, e todos, sabiam que poderia salvar o grande detetive. Lestrade, Mycroft e
todo o resto do mundo logo insistiram para que a garota fosse encontrar o
criminoso, instruíram-na da melhor forma, coisas que ela já sabia desde os
cinco anos de idade. Mas ninguém pareceu se importar com seu bem estar, com sua
segurança. Claro, tinha toda uma equipe da polícia a postos, dando cobertura.
Claro, eles tinham planos e códigos para mantê-la a salvo. Mas mesmo assim, não
se sentia segura. E claro, ela não demonstrava isso. E claro, John Watson era a
exceção. Parada em frente a porta, relembrando tudo que tinha que dizer e
fazer, Sophie se surpreendeu quando sentiu uma mão em seu ombro. John.
“Sophie, eu sei que você é a única que pode salva-lo, mas se
eu pudesse, iria em seu lugar.”
“Eu sei, John.”
“Você está bem?”
“Sim.”
“Vai ficar tudo bem. Vocês dois são inteligentes. Mais
inteligentes do que esse lunático.”
“Obrigada.”
“Sophie...”
“Sim, John?”
“Você não é seu pai. Você tem seus próprios métodos e jeito
único de ser. Não seja ele agora.”
A garota sentiu um calor em seu peito que a fez sentir toda
a segurança que a polícia não conseguia dar para ela. John ainda a olhava,
apreensivo, e ela sabia que ele ainda tinha algo a dizer mas não podiam perder
tempo agora. Tempo era a chave. Respirou fundo e levou a mão à maçaneta da
porta, mas a mão do médico pousou sobre a sua.
“Sophie...”
Ela o olhou nos olhos e viu. Viu preocupação, viu ódio, viu
medo. Medo de perder o único homem que amava nesse mundo. John Watson já
perdera demais na sua vida como médico, soldado, detetive consultor, amigo. Ela
entendia que ele tinha medo de perder Sherlock.
“Sophie, por favor tenha cuidado.”
“Terei.”
A garota exalou a respiração que nem percebera que estava
segurando, e se preparou para abrir a porta novamente. Mas então ela percebeu o
que realmente estava acontecendo ali.
“John, obrigada.”
“Obrigada por que?”
“Por se importar comigo.”
O médico respirou fundo e sorriu para ela.
“Ah, Sophie, minha querida! Você não é só a filha do meu
melhor amigo. Para mim, você é uma filha também. A única que vou ter nessa
vida. E eu me importo com você e com seu pai mais do que comigo mesmo, meu
anjo. Nunca esqueça disso.”
Seu pai tinha sua forma peculiar de se importar com ela e
demonstrar afeto, e ela não achava ruim. Gostava da sua vida estranha, com o
pai estranho. Mas eram momentos como esses que a faziam se sentir humana de
verdade. A normalidade que John Watson trazia para a família Holmes aquecia
todo o gelo presente naqueles corações. E o gelo derretera em forma de
lágrimas. Soltando a maçaneta e agindo por impulso, Sophie abraçou John com
toda a força que tinha. E ele a abraçou de volta devolvendo a força que ela
iria precisar naquele momento.
E ela nunca se sentiu tão amada e protegida.
Se ela sobreviesse àquilo, não se importaria nem um pouco em
chamar John Watson de pai. Porque naquele momento, e em todos os momentos que
passavam juntos ele assim o era. Um pai carinhoso e protetor. Ela sempre teve
dois pais. Um maluco e um normal, e não tinha nada de que se orgulhasse mais.
“Vai dar tudo certo, meu anjo.”
“Vai!”
“E Sophie, quando encontrar o seu pai, diz que ele é um
idiota.”
A garota riu, porque desde que nascera sabia que “você é um
idiota” é traduzido como “eu te amo”, na linguagem Holmes-Watson. E ela amava
os dois idiotas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário